glicemia ou glicémia
Do grego glyküs, «doce» + ha¸ma, «sangue» + -ia
Definição: presença de glicose (em estado livre) no sangue;
taxa de glicose no sangue.
INTRODUÇÃO
A glicose é a principal fonte de energia do cérebro, sendo utilizada pela maior parte das suas células sem intervenção da insulina.
As reservas cerebrais de glicose e de glicogénio esgotam-se cerca de 2 minutos após a cessação do fornecimento de glicose ao cérebro, pelo que a concentração desta no sangue é um dos factores mais importantes para a manutenção do metabolismo cerebral.
A hipoglicémia severa e prolongada pode ser causa de morte ou de lesões cerebrais irreversíveis.
Do ponto de vista clínico a hipoglicémia é definida pela tríade de Whipple: glicemia inferior a 50 mg/dl + sintomas associados à diminuição da concentração sanguínea de glicose + reversão ou melhoria desses sintomas com a elevação da glicemia.
A correcção precoce da hipoglicémia no contexto da assistência pré-hospitalar pode ser um factor determinante da diminuição da mortalidade e morbilidade associadas a esta situação.
À medida que os valores de glicemia baixam, a gravidade da situação traduz-se pela instalação progressiva de sinais e sintomas neurológicos. Essa escalada de gravidade, se não for interrompida com o tratamento adequado, acaba por resultar em coma e morte.
A determinação da glicemia capilar com tiras reagentes e aparelhos de leitura óptica é um procedimento simples, rápido e suficientemente preciso para ser utilizado como base de diagnóstico e orientação terapêutica.
Convém frisar que o valor da glicemia não é um dado absoluto pois se um adulto saudável pode tolerar valores bastante inferiores a 50 mg/dl com sintomatologia mínima ou ausente, um diabético com glicémias habitualmente elevadas pode exibir sintomatologia exuberante mesmo tendo a glicemia dentro de valores considerados normais.
SINAIS E SINTOMAS
Os sinais e sintomas de hipoglicemia encontrados no contexto da emergência pré-hospitalar são habitualmente os decorrentes de alterações do estado de consciência. Pensar na hipótese e pesquisar. A suspeita de hipoglicemia pode surgir noutras situações pelo que a determinação da glicemia capilar, além de mandatório em todos os doentes com alterações do estado de consciência, deve ser feita sempre que existirem elementos de ordem clínica que sugiram haver alteração dos valores da glicemia.
Os principais sinais e sintomas são essencialmente de dois tipos:
1 - ADRENÉRGICOS
Resultantes dos efeitos das hormonas contrarreguladoras libertadas em resposta à diminuição da glicemia, são tanto mais marcados quanto mais rápida for essa diminuição. Em situações de estabelecimento lento da hipoglicemia (por ex. na desnutrição) podem estar completamente ausentes.
2) NEUROGLICOPÉNICOS
Resultam do défice de glicose a nível cerebral e o seu aparecimento implica a entrada numa fase de risco de lesões cerebrais irreversíveis.
CAUSAS DE HIPOGLICEMIA
A hipoglicemia severa na emergência pré-hospitalar pode representar cerca de 2,5 % dos casos. Destes, apenas cerca de 8 % ocorrem em doentes não diabéticos, pelo que a maioria dos casos surge em doentes medicados com insulina e/ou anti-diabéticos orais (sulfonilureias) e resultam do desequilíbrio entre a alimentação, a actividade física e a terapêutica.
Outras causas são:
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Hipoglicemia induzida pelo álcool (frequentemente associada a má nutrição)
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Hipoglicemia por desnutrição (rara no adulto, mais frequente na criança)
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Hipoglicemia por insuficiência hepática (nos estados avançados)
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Hipoglicemia induzida por fármacos (salicilatos, propanolol, etc.)
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Causas menos frequentes como insulinomas, neoplasias extra-pancreáticas, alterações endócrinas hipofisárias, supra-renais e tiroideias, pós-cirurgia gastroduodenal, tentativa de suicídio com insulina ou anti-diabéticos orais, etc.
Excepto no caso de haver suspeita de alcoolismo crónico, o estabelecimento de um diagnóstico etiológico no contexto da emergência pré-hospitalar não modifica o tratamento da hipoglicemia pois este é independente da causa. No entanto pode justificar o recurso a outras medidas como, por exemplo, a lavagem gástrica e o uso de carvão activado no caso de uma intoxicação com fármacos hipoglicemiantes.
Não esquecer também que a presença no local da ocorrência (frequentemente o domicilio) e o contacto com familiares e conhecidos permite a obtenção de elementos fundamentais para a posterior orientação e tratamento do doente a nível hospitalar.
ACTUAÇÃO NA HIPOGLICÉMIA
