CONSIDERAÇÕES GERAIS:
A Asma Brônquica é uma doença comum com um largo espectro clínico. Embora a maioria dos doentes tenha uma asma moderada, facilmente controlável, uma crise de asma pode ser rapidamente fatal.
A incidência da asma e das mortes por asma tem vindo a aumentar no mundo ocidental.
Definições:
Asma Brônquica: E um síndroma caracterizado por aumento da resposta das vias aéreas a vários estímulos, que se manifesta por obstrução variável, que reverte espontaneamente ou com terapêutica.
Status Asmaticus :Define-se como a obstrução grave das vias aéreas, persistente passado 1 hora ou horas, acompanhada de sintomas de asma, isto apesar de se ter efectuado a terapêutica adequada.
Asma com risco de vida (asma potencialmente fatal) define-se como a obstrução das vias aéreas devida a asma associada a falência respiratória que se manifesta por hipercápnia.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL:
O diagnóstico de asma brônquica é clínico. Devem-se admitir e excluir seguinte:
AVALIAÇÃO INICIAL:
A avaliação inicial deve ser o mais breve possível e incluir:
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Avaliação do doente: Confirmação da tosse, dispneia, pieira e sensação de aperto torácico. Existência de broncospasmo ou silêncio respiratório, sinais de dificuldade respiratória com utilização de músculos acessórios e tiragem intercostal, nível de consciência.
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Avaliação sucinta do diagnóstico de asma, terapêutica em curso, possíveis desencadeantes da crise (infecções, contacto com alergenos conhecidos e medicamentos) qual os medicamentos que já tomou e quando.
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Pesquisa de complicações: Pneumotórax, arritmias.
Critérios de gravidade de uma crise asmática:
Moderada
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O doente não consegue completar uma frase sem interrupção
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Pieira audível
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Tiragem supra esternal
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Frequência respiratória superior a 24 por minuto
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Frequência cardíaca superior a 110 por minuto
Grave
TERAPÊUTICA:
Considerações fundamentais na terapêutica:
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Oxigénio
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A terapêutica anti-inflamatória (corticóides) embora não tenha eficácia imediata é essencial no tratamento da crise asmática grave.
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O manejo inicial da asma grave com risco de vida centra-se no uso agressivo de terapêutica broncodilatadora inalada.
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A causa mais frequente de falência respiratória no doente com asma é a acidose respiratória aguda e a insuficiência ventilatória. Isto deve-se ao aumento do trabalho respiratório devido á associação da diminuição da compliance com o aumento do volume minuto (polipneia). A acidose respiratória aguda pode levar a uma diminuição do nível de consciência e consequente perda de protecção da via aérea.
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Doentes com status asmaticus podem não responder às medidas terapêuticas iniciais e necessitar de terapêutica prolongada e agressiva.
ABORDAGEM TERAPÊUTICA INICIAL:
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As preocupações iniciais devem dirigir-se para uma terapêutica médica agressiva, decisão sobre necessidade de intubação e ventilação e reconhecimento das complicações e seu tratamento.
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Embora seja necessário administrar 02 a hipoxémia não é habitualmente um problema grave sendo corrigível com aumento da FI02 com 02 por máscara ou sonda nasal.
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Os critérios para intubação antes da terapêutica médica são: nível de consciência, cianose central e fadiga extrema - exaustão (volumes pequenos com taquipneia superior a 30 ciclos/min. e Sa02 inferior a 90%).
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Quando o doente se apresenta hipotenso, antes de qualquer manobra terapêutica, pensar sempre em a) Pneumotórax hipertensivo (semiologia), b) arritmias (monitorização) ou c) acidose respiratória grave.
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A terapêutica de eleição são os ß2 inalados ex. salbutamol. O uso da via subcutânea ou endovenosa deve ser ponderado cuidadosamente perante o risco de arritmias.
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Nos casos de broncospasmo severo é recomendado o uso de anticolinérgicos inalados.
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A terapêutica com xantinas endovenosas é controversa, obriga à monitorização do doente e só deve ser iniciada após a terapêutica inalada ou se esta for impossível. Tem que se considerar o risco de arritmias e de hipocaliémia.
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Administração de corticóides sistémicos inicial, embora sem efeito imediato, é fortemente aconselhada.
AVALIAÇÃO DA RESPOSTA
A avaliação da resposta à terapêutica é essencialmente clínica traduzindo-se pelo alívio sintomático, reaparecimento de murmúrio vesicular, desaparecimento do broncospasmo melhoria do estado de consciência e subida da SaO2.
TRATAMENTO DAS COMPLICAÇÕES:
PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO
É a complicação de asma brônquica que necessita de terapêutica imediata por colocar o doente em risco de morte iminente.
O tratamento é a drenagem torácica.
ARRITMIAS
Frequentemente devido a hipóxia ou efeitos secundários da medicação, a administração de 02 e a suspensão da terapêutica EV geralmente resolvem estas arritmias.