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Abordagem Pré- hospitalar ao Politraumatizado
Data 07/08/2011 18:32  Autor wolfspell  Vezes 431  Idioma Global

 

Imagens de aulas práticas

Definição de politraumatizado

“ Uma Vítima é considerada Politraumatizada, sempre que apresente  lesões em dois sistemas de órgãos, de quais pelo menos uma, ou a combinação das lesões,  constitua um risco vital para o doente.” (Tscherne)

Mecanismo do Trauma

Choque frontal


Choque traseiro


Atropelamento


Esmagamento


Queda em pé


Soterramento


Electrocussão


Mergulho


AVALIAÇÃO PRIMÁRIA

Na avaliação e actuação perante a vítima Politraumatizada deve ser orientada segundo o “A B C D E”, não é lícito passar para o item seguinte sem o presente estar sob controlo (exceptuando se for necessário proceder a manobras de suporte de vida). A ênfase deve ser dada à estabilização dos parâmetros vitais, remetendo o diagnóstico da maioria das situações específicas para o hospital.

A-  Via aérea com controlo cervical

B-  Ventilação

C-  Circulação com controlo da hemorragia externa

D-  Disfunção neurológica

E-  Exposição com controlo da temperatura

 

A-  VIA AÉREA

Assegurar permeabilidade da via aérea com imobilização cervical e «subluxação» da mandíbula.


Aspiração da orofaringe, extracção de próteses dentárias e/ou corpos estranhos


Uso de tubos orofaríngeos Guedell


Alinhamento anatómico, tracção e imobilização da coluna cervical com colar cervical (exame da região antes de colocar colar)


Se houver necessidade, intubação endotraqueal. Esta poderá ser efectuada sem colar, mas exige sempre imobilização manual da cabeça e pescoço. Está contra-indicada a intubação nasotraqueal, dado que até prova em contrário é de presumir fractura da base do crânio.


Indicações para intubação endotraqueal:

-        Apneia

-        Escala Coma de Glasgow < ou = 8

-        Lesão das vias aéreas superiores que ofereça perigo à ventilação

-        Risco elevado de aspiração

-        Traumatismo instável da face

-        Convulsões mantidas

-        Incapacidade de manter a permeabilidade da via aérea ou a oxigenação

-        Falência respiratória: FR> 30 c/min, VC baixo, utilização musc. acessórios

 Alternativas à intubação endotraqueal.

 -  Combitubo, se não existir trauma da via aérea.

- Cricotiroidotomia efectuada com kit específico, no caso de impossibilidade de assegurar a via aérea de outra forma, sendo possível assegurar esta via durante cerca de 30 minutos até traqueostomia no hospital.

 

B - VENTILAÇÃO

 

Manutenção de oxigenação adequada. Por vezes é necessário apoiar com:

-    Máscara facial ou tubo endotraqueal e insuflador manual: 02 a 100%, 10 -15 l/min, com 12        ventilações/min.

- Se ventilação mecânica: Volume corrente 8-12 ml/kg e FR 12/min e Fi02 50 %

- Em caso de dificuldade considerar:

·       Obstrução da via aérea: considerar hipótese de cricotiroidotomia se outras opções falharem

·       Pneumotórax: drenar rapidamente em caso de compromisso respiratório

·       Hemotórax (ver protocolo: trauma torácico)

·       Retalho costal: imobilizar rapidamente (ver protocolo: trauma torácico)

·       Lesão diafragmática com herniação

Diagnóstico requer avaliação seriada do doente e integração de dados da inspecção, palpação, percussão e auscultação, não devendo existir hesitação na actuação perante diagnóstico de lesão que ponha a vida em perigo.

 

C - CIRCULAÇÃO

 Avaliar

Pulso: valorizar taquicardia como sinal precoce de hipovolémia


Temperatura e coloração da pele: hipotermia, sudorese e palidez


Preenchimento capilar: leito ungueal


Pressão arterial: inicialmente estará normotenso


Estado da consciência: agitação como sinal de hipovolémia


 Considerar relação entre % de hemorragia e sinais clínicos:

  CLASSE 1 CLASSE 2 CLASSE 3 CLASSE 4
PERDA SANGUÍNEA (ml) Até 750 750 - 1500 1500 - 2000 > 2000
PERDA SANGUÍNEA (%) Até 15%

15 - 30%

30 - 40 %

> 40%

FREQUÊNCIA CARDÍACA <100 >100 >120 >140
PRESSÃO ARTERIAL Normal Normal Diminuída Diminuída
PREENCHIMENTO CAPILAR Normal Diminuído Diminuído Diminuído
FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA

14 - 20

20 - 30

30 - 40

> 35

DEBITO URINÁRIO (ml/hora) 30 ou mais

20 30

5 15

Praticamente ausente
ESTADO MENTAL Ligeiramente ansioso Moderadamente  ansioso Ansioso - confuso Confuso - letárgico
FLUIDOTERAPIA (REGRAS 1:3 e 1:1) Cristalóide Cristalóide Cristalóide  e colóide Cristalóide e colóide

Actuação

 

1-   RCP, se necessário.

2-   Controlo de hemorragia com compressão externa.

3-   Reposição de volume, sendo necessários adequados acessos venosos, O traumatizado deve ter 2 acessos e com catéteres G14, «nunca» com menos do que G16. Eventualmente, poderá ser colocado um catéter numa jugular externa ou utilizada a via intra-­óssea (a considerar também no adulto).

4-   Em caso de trauma torácico ou abdominal grave: um acesso acima e outro abaixo do diafragma.

5-   A escolha entre cristalóides e colóides não deve basear-se necessariamente no grau de choque, não estando provada qualquer diferença de prognóstico na utilização de um ou outro. O volume a infundir relaciona-se com as perdas e a resposta clínica. Uma relação de 1:3 e 1:1 no caso de perdas/cristalóides a administrar e perdas/colóides a administrar, respectivamente.

6-  Atenção aos TCE, TVM e grávida Politraumatizada sendo à partida, ainda que discutível, de privilegiar colóides.

7-   Regra geral, não utilizar soros glicosados no traumatizado, existindo apenas interesse destes no diabético ou na hipoglicémia. Por norma, os soros administrados na fase pré-hospitalar num adulto politraumatizado não são suficientes para originar um edema pulmonar, mesmo em doentes cardíacos. Não se deve insistir tanto na recomendação de cuidado com a possibilidade de sobrecarga numa situação de hipovolémia, mas sim tratar esta última agressivamente.

8-   Vigiar estado da consciência e perfusão cutânea, avaliando parâmetros vitais de forma seriada.

 D - DISFUNÇÃO OU DÉFICE NEUROLÓGICO

 Avaliar

 GCS (Escala Coma Glasgow) de uma forma seriada


Tamanho, simetria/assimetria pupilar e reactividade à luz


Função motora (lateralização à dor)


 Actuação

 Administrar Oxigénio 10 -12 l/min e actuação de acordo com protocolo específico.


 Imobilização da coluna vertebral com colar cervical, imobilizadores laterais da cabeça, com plano duro ou maca de vácuo.


Regra: não originar mais lesão, evitando lesão secundária fruto de hipóxia e hipotensão

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